Lisboa em flor: um roteiro botânico na primavera
Quando a primavera chega a Lisboa, a cidade desperta com cores e tudo ganha uma nova vida. Mas há também um lado mais silencioso e fascinante: os jardins, árvores e flores que contam a história da cidade. Este roteiro botânico leva a alguns dos locais mais emblemáticos de Lisboa, combinando flora rica e variada com a memória histórica que cada espaço guarda.
Jardim da Estrela: refúgio romântico no coração da cidade
Inaugurado em 1852, o Jardim da Estrela foi desenhado no estilo romântico europeu e rapidamente
se tornou um ponto de encontro para lisboetas e visitantes. Aqui, a primavera
traz uma explosão de cores: magnólias que desabrocham em tons de branco,
roseiras perfumadas espalhadas pelos canteiros e jacarandás que pintam o Jardim
de roxos vibrantes.
- Curiosidades históricas: O Jardim é composto por esculturas e fontes que refletem o gosto da época pelo romantismo e pelo contacto com a natureza. Um dos pontos centrais é o coreto verde de ferro forjado, construído em 1884, que se encontrava originalmente no Passeio Público antes da construção da Avenida da Liberdade.
Jardim Botânico de Lisboa: ciência e exotismo
O Jardim Botânico de
Lisboa, integrado no Museu Nacional de História Natural e da Ciência, combina investigação científica com beleza natural. Fundado
em 1878, é particularmente rico em espécies tropicais originárias da Nova
Zelândia, Austrália, China, Japão e América do Sul.
- Curiosidade histórica: Muitas das espécies exóticas foram trazidas por botânicos portugueses no século XIX, tornando o Jardim um arquivo vivo da exploração científica da época.
Tapada das Necessidades: a natureza selvagem da corte
Com 10 hectares, a Tapada das Necessidades foi originalmente um terreno da família real, criado no
século XVII como área de lazer e caça. Hoje, mantém-se quase intocada, com
árvores imponentes, criando um contraste único com os jardins da cidade. Na
primavera, surgem pequenas flores silvestres, enquanto árvores como plátanos,
cedros e sobreiros mostram o seu porte majestoso.
- Curiosidade histórica: Alguns sobreiros têm mais de 200 anos e foram plantados para embelezar os terrenos da corte portuguesa.
Estufa Fria: um oásis botânico
no Parque Eduardo VII
No coração do Parque Eduardo VII encontra-se a Estufa Fria, um espaço verde fechado que combina arquitetura singular e uma coleção botânica impressionante. Foi pensada para reproduzir diferentes climas e habitats, acolhendo plantas tropicais, subtropicais e mediterrânicas.
Além das espécies
tropicais, os caminhos da Estufa estão ladeados por pequenos lagos e cascatas
artificiais, que reforçam a sensação de refúgio e tranquilidade.
- Curiosidade histórica: Em meados do século XIX, a área onde hoje se encontra o Parque Eduardo VII era ocupada por um lago e uma pedreira de basalto. No entanto, a existência de várias nascentes de água dificultou a extração da rocha, acabando por levar ao abandono da pedreira.
Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian: arte e natureza em harmonia
O Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian é um espaço que combina cultura, arte e natureza de forma única. Criado na década de 1960, foi projetado com atenção especial à biodiversidade e à integração de obras de arte no espaço verde.
Na primavera, os
caminhos do Jardim ganham vida com magnólias, azáleas, camélias e outras flores
de estação. Árvores centenárias, como carvalhos, plátanos e cedros proporcionam
sombra e envolvem os lagos e as esculturas espalhadas pelo espaço. O resultado
é um ambiente onde a beleza natural e a história artística se encontram.
- Curiosidade histórica: No século XIX, o espaço acolheu um palácio e um parque de estilo romântico, tendo também funcionado como Jardim Zoológico de Lisboa.
Explorar estes jardins é também uma forma de abrandar e (re)descobrir Lisboa para além das ruas movimentadas e dos miradouros conhecidos. Entre flores, árvores centenárias e recantos tranquilos, a cidade convida a passeios demorados e a momentos de contemplação.

